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26.2.09
Segredo
Lendo esse post do La Cucinetta, eu percebi porque quando cozinho lá em casa, sai tudo ruim e esquisito. Geralmente faço as coisas meio correndo, meio envergonhada, tentando passar despercebida e sem deixar vestígios na cozinha, o contrário daquele cozinhar que cheira bem, convida, chama para perto. Pico a abobrinha com pressa, não olho direito para os tomates, economizo dos detalhes. Tudo para acabar logo, porque sei que minha mãe fica com ciúme da cozinha. Os temperos, esses já foram parar na cozinha do namorado, onde proporcionam jantares de felicidade, daqueles que mostram o quão íntimo é sentar na mesa com alguém que se quer bem para compartilhar um prazer.
28.1.09
Appetizer
Esse blog abre espaço a partir de agora para falar de comida. A mudança se deve ao fato de que a única coisa criativa que eu faço regularmente além de trabalhar nos últimos tempos é esquentar a barriga no fogão. Se o Estadão podia publicar receita por causa da censura, eu posso também. Afinal, com exceção das atividades culinárias, ultimamente ando pensado e fazendo o impublicável.
Eu adoro livros de receitas e sempre aparece um novo na prateleira. Curiosamente, nunca uso. :D A vantagem é que as receitas eventualmente publicadas nesse blog podem ter alguma inspiração, mas são originais e inéditas.
A de hoje vai informalmente: cansadíssima depois de uma noite muito mal dormida e de pegar chuva de bike até em casa, resolvi que a janta tinha que ser rápida e indolor. O vapt-vupt foi resolvido com tagliatelle de massa de sêmola (que demora horrores para cozinhar), e molho de curry com frango. Meio pacote de massa al dente, meio tablete de curry japonês (médio ou picante, ao gosto do freguês) dissolvido em um copo da água do cozimento da massa, adicionados ao frango salteado com cebola roxa. Uma taça de chianti, e fim de história. Fui me recuperar do cansaço trágico toda feliz e alimentada. Curry tem poderes espirituais fantásticos.
Dessa vez fico devendo foto, mas haverá próximas.
Ah: esse blog não vai aderir à Reforma Ortográfica enquanto isso for possível, em 2012, ou a morte. O que vier primeiro.
Eu adoro livros de receitas e sempre aparece um novo na prateleira. Curiosamente, nunca uso. :D A vantagem é que as receitas eventualmente publicadas nesse blog podem ter alguma inspiração, mas são originais e inéditas.
A de hoje vai informalmente: cansadíssima depois de uma noite muito mal dormida e de pegar chuva de bike até em casa, resolvi que a janta tinha que ser rápida e indolor. O vapt-vupt foi resolvido com tagliatelle de massa de sêmola (que demora horrores para cozinhar), e molho de curry com frango. Meio pacote de massa al dente, meio tablete de curry japonês (médio ou picante, ao gosto do freguês) dissolvido em um copo da água do cozimento da massa, adicionados ao frango salteado com cebola roxa. Uma taça de chianti, e fim de história. Fui me recuperar do cansaço trágico toda feliz e alimentada. Curry tem poderes espirituais fantásticos.
Dessa vez fico devendo foto, mas haverá próximas.
Ah: esse blog não vai aderir à Reforma Ortográfica enquanto isso for possível, em 2012, ou a morte. O que vier primeiro.
21.8.08
Manger, c'est si bon!
Estamos em plena Restaurant Week. Eu vou muito menos a restaurantes do que gostaria, porque a grana fica aquém do desejo, e às vezes falta companhia também. Sim, porque bons amigos à mesa são parte da refeição, tão essenciais como o pão, o vinho e o café. Os elementos que alimentam a alma, enfim.
Pois bem, a decisão de ir num restaurante thai foi sumariamente descartada porque as duas opções eram meio longe e graças também ao Tele Thai, que é um absurdo de bom, barato e com toda a conveniência do meu lar ;) No lugar, entrou La Risotteria Alessandro Segato, lugar que eu só poderei pagar em outras circunstâncias quando o mundo reconhecer financeiramente meu brilho e talento (a-hã).
Depois de aguardar pela mesa na sempre boa companhia de um martíni (confesso que não foi um dos melhores da minha vida... o garçon gentilmente pressupôs que eu queria um bianco porque mulheres "gostam" de bebidas doces), aos pratos! Entradinha de polenta com fondue de queijo e funghi, com sabores delicados e intensos. Pasta (desculpem a sinceridade cortante) sofrível. Um tortelloni de ricota de búfala com massa dura e grudenta, e com o sabor do tomate seco empastelando tudo. A sobremesa, charlottina de limão siciliano, mais que compensou. E aqueles serviços ágeis pelos quais você paga os 10% com vontade.
Mas o que realmente me fez querer voltar foi o golpe de Segato: dois pirulitos de caramelo e especiarias, numa embalagem delicada (que eu devia ter fotografado, mas que minha gula atropelou), com a mensagem fofa: "Grazie di aver scelto. Il nostro ristorante vi attendiamo al più presto! E questo dolce presente 'leca leca' é per poter estendere i piaceri del palato e ricordare i sapori nostalgivi d'infanzia, con un tocco d'autore"
Eu não resisto aos mimos. Simplesmente derreto quando sou mimada. Eu volto, Alessandro. Pode ter certeza.
Pois bem, a decisão de ir num restaurante thai foi sumariamente descartada porque as duas opções eram meio longe e graças também ao Tele Thai, que é um absurdo de bom, barato e com toda a conveniência do meu lar ;) No lugar, entrou La Risotteria Alessandro Segato, lugar que eu só poderei pagar em outras circunstâncias quando o mundo reconhecer financeiramente meu brilho e talento (a-hã).
Depois de aguardar pela mesa na sempre boa companhia de um martíni (confesso que não foi um dos melhores da minha vida... o garçon gentilmente pressupôs que eu queria um bianco porque mulheres "gostam" de bebidas doces), aos pratos! Entradinha de polenta com fondue de queijo e funghi, com sabores delicados e intensos. Pasta (desculpem a sinceridade cortante) sofrível. Um tortelloni de ricota de búfala com massa dura e grudenta, e com o sabor do tomate seco empastelando tudo. A sobremesa, charlottina de limão siciliano, mais que compensou. E aqueles serviços ágeis pelos quais você paga os 10% com vontade.
Mas o que realmente me fez querer voltar foi o golpe de Segato: dois pirulitos de caramelo e especiarias, numa embalagem delicada (que eu devia ter fotografado, mas que minha gula atropelou), com a mensagem fofa: "Grazie di aver scelto. Il nostro ristorante vi attendiamo al più presto! E questo dolce presente 'leca leca' é per poter estendere i piaceri del palato e ricordare i sapori nostalgivi d'infanzia, con un tocco d'autore"
Eu não resisto aos mimos. Simplesmente derreto quando sou mimada. Eu volto, Alessandro. Pode ter certeza.
2.8.08
Torta de limão
Uma das minhas sobremesas preferidas. Voltei do trabalho ontem pela Clélia (esse post merecia ser do A Pé na Pompéia, meu blog beta ainda não divulgado), e passei em frente à Pólem, doceria que está lá desde que eu era criança. E isso vale muito porque quase tudo que havia no bairro durante a minha infância tende a ser posto abaixo, para dar lugar a qualquer outro empreendimento mais novo, mais moderno e mais rentável.
Por anos, os bolos de aniversário da família vinham da Pólem. Era sempre do mesmo sabor, um bolo com massa folhada e creme. As paredes de azulejo continuam as mesmas, as delícias sem muitas firulas também. Doces com morango, chocolate, creme, doce de leite. Mil folhas, floresta negra, torta de ricota. Simples, gostosos e baratíssimos. Os donos também são os mesmos, apenas os cabelos estão mais brancos.
Fiquei uns bons minutos viajando na vitrine e acabei pedindo uma torta de limão para viagem. Coloquei no freezer assim que cheguei em casa e fui jantar - torta de limão tem que ser o mais fresquinha possível. E me esbaldei num exagero de pedaço, na sobremesa. Um detalhe, e ele só, vale esse post: a camada de merengue tinha a textura de uma núvem de açúcar, com um toque sutil de limão. Cobertura leve, fina, firme e ainda assim derretendo estrelinhas no céu da boca. O recheio estava suave e equilibrado, sem leite condensado, sinal de boa confeitaria. A massa não tinha nada de mais, mas também não estava ruim. Preço da torta inteira: R$10.
Justíssimo. Comi com um "aleluia" por garfada!
Doceira Pólem
R. Clélia, 572
(11) 3862-9272
Por anos, os bolos de aniversário da família vinham da Pólem. Era sempre do mesmo sabor, um bolo com massa folhada e creme. As paredes de azulejo continuam as mesmas, as delícias sem muitas firulas também. Doces com morango, chocolate, creme, doce de leite. Mil folhas, floresta negra, torta de ricota. Simples, gostosos e baratíssimos. Os donos também são os mesmos, apenas os cabelos estão mais brancos.
Fiquei uns bons minutos viajando na vitrine e acabei pedindo uma torta de limão para viagem. Coloquei no freezer assim que cheguei em casa e fui jantar - torta de limão tem que ser o mais fresquinha possível. E me esbaldei num exagero de pedaço, na sobremesa. Um detalhe, e ele só, vale esse post: a camada de merengue tinha a textura de uma núvem de açúcar, com um toque sutil de limão. Cobertura leve, fina, firme e ainda assim derretendo estrelinhas no céu da boca. O recheio estava suave e equilibrado, sem leite condensado, sinal de boa confeitaria. A massa não tinha nada de mais, mas também não estava ruim. Preço da torta inteira: R$10.
Justíssimo. Comi com um "aleluia" por garfada!
Doceira Pólem
R. Clélia, 572
(11) 3862-9272
18.7.08
Sexta... feira
Não teve jeito. Tentei atravessar a feira no caminho do trabalho para casa de olhos no chão e pés apressados. Dos feirantes simpáticos, até consegui desviar. Mas quando bati, com o rabo do olho, com um pé de alface roxa numa banca de verduras, não teve jeito: soltei um suspiro profundo e epifânico.
Ok, cá entre nós: suspirar por causa de um pé de alface parece uma aberração. Mas para quem gosta de cozinhar e ama feiras, é o ponto de partida para uma festa imaginária de mil sabores, cores e texturas se combinando na mesa para dar prazer aos sentidos e despertar sensações inesperadas. Só de imaginar aquela alface fresquinha, lindamente roxa, numa salada de verdade, estalando nos dentes... Na hora me deu vontade de cancelar a pressa do meu itinerário e fazer uma incursão mais calma entre as bancas, observando os produtos - uma feira bonita é um tema de ensaio fotográfico clichê, mas que estou cobiçando há tempos - e papear com os feirantes. É incrível como eles sabem como arrancar delícias a partir de vegetais desconhecidos e partes estranhas de animais. São ótimas fontes para aquela cozinha boa, com sabor de comida de mãe.
No fundo, acho que o suspiro foi porque não tenho tido tempo de me dedicar às pessoas. E um dos jeitos que eu mais gosto de fazer isso é caprichando em um mimo gostoso: um prato preferido, um docinho. A parte boa é que isso tudo tem rendido projetos em mente! Vamos ver no que dá...
Ok, cá entre nós: suspirar por causa de um pé de alface parece uma aberração. Mas para quem gosta de cozinhar e ama feiras, é o ponto de partida para uma festa imaginária de mil sabores, cores e texturas se combinando na mesa para dar prazer aos sentidos e despertar sensações inesperadas. Só de imaginar aquela alface fresquinha, lindamente roxa, numa salada de verdade, estalando nos dentes... Na hora me deu vontade de cancelar a pressa do meu itinerário e fazer uma incursão mais calma entre as bancas, observando os produtos - uma feira bonita é um tema de ensaio fotográfico clichê, mas que estou cobiçando há tempos - e papear com os feirantes. É incrível como eles sabem como arrancar delícias a partir de vegetais desconhecidos e partes estranhas de animais. São ótimas fontes para aquela cozinha boa, com sabor de comida de mãe.
No fundo, acho que o suspiro foi porque não tenho tido tempo de me dedicar às pessoas. E um dos jeitos que eu mais gosto de fazer isso é caprichando em um mimo gostoso: um prato preferido, um docinho. A parte boa é que isso tudo tem rendido projetos em mente! Vamos ver no que dá...
8.6.08
Octavio Café
Outro dia fui seqüestrar um amigo no plantão dele - ninguém merece ficar trabalhando num domingo gélido à noite sem ao menos ser resgatado - e a gente foi para o Octavio. A idéia era jantar, mas não resisti à proposta gulosa de, em vez de comidinha de verdade, como prefeririam as nossas mães, atacar sobremesas promissoras. O Octavio Café faz parte dessa bem-vinda avalanche de cafeterias bacanas que estão invadindo São Paulo, e fomos para lá antes de mais nada por causa da arquitetura do lugar. Sinuoso, com pé-direito alto, madeira e espelhos, é estranhamente imponente e acolhedor ao mesmo tempo, com mesas amplas (vocês também odeiam mesas minúsculas em que os cotovelos se esbarram e pratos, copos e guardanapos disputam cada centímetro?) e confortáveis estofados nos lugares encostados na parede. E, par perfeito para um café, iluminação dourada e intimista. A casa estava cheia, mas, com madeira por todos os lados na decoração, o som ambiente das conversas não incomodava.
Fui de tarte tatin de pêra com lascas de amêndoas, sorbet de pêra e calda de chocolate, e ainda fiquei beliscando a sobremesa do meu amigo, uma torta de banana com sorvete de caipirinha, ambas ótimas. Já os cafés para acompanhar foram uma tristeza. Eu estava esperando uma carta com sugestões de blends e preparos, e fiquei decepcionada com a falta de opções. Depois, fuçando no site, descobri que o café da casa vem da fazenda Nossa Senhora Aparecida, e o Octavio foi criado em função desse blend, etc etc. Mas a falta de referência no cardápio tira um pouco o charme da situação. Afinal, fazer pesquisa antes de sair de casa para ir tomar café é bem brochante. O latte do meu amigo veio exatamente como ele tinha pedido; meu macchiato decepcionou. Triste, feinho. Com cafeterias caprichando tanto na apresentação do café, meu macchiato não podia ter vindo com cara de fim de feira. Mas o blend da casa é ótimo, e pelo conjunto da obra, restam motivos para próximas visitas.
Fui de tarte tatin de pêra com lascas de amêndoas, sorbet de pêra e calda de chocolate, e ainda fiquei beliscando a sobremesa do meu amigo, uma torta de banana com sorvete de caipirinha, ambas ótimas. Já os cafés para acompanhar foram uma tristeza. Eu estava esperando uma carta com sugestões de blends e preparos, e fiquei decepcionada com a falta de opções. Depois, fuçando no site, descobri que o café da casa vem da fazenda Nossa Senhora Aparecida, e o Octavio foi criado em função desse blend, etc etc. Mas a falta de referência no cardápio tira um pouco o charme da situação. Afinal, fazer pesquisa antes de sair de casa para ir tomar café é bem brochante. O latte do meu amigo veio exatamente como ele tinha pedido; meu macchiato decepcionou. Triste, feinho. Com cafeterias caprichando tanto na apresentação do café, meu macchiato não podia ter vindo com cara de fim de feira. Mas o blend da casa é ótimo, e pelo conjunto da obra, restam motivos para próximas visitas.
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