Vivemos em função de coisas. Essa palavra tão ampla comporta sonhos, objetos, metáforas de esperanças e pessoas que buscamos. Voltei de viagem, e não trazia quase nada além do que eu tinha levado.
Mesmo assim me dei conta de que tenho coisas demais, de que acumulei bem mais do que imaginava nesses últimos dois anos. Quando mudei para a nova casa, deixei muita tranqueira para trás. Tudo cabia no meu novo quarto, claro, arejado, amplo. Na volta de viagem, eu mal tenho espaço. Meus sonhos de viagem e as coisas que me dão prazer - leitura, pintura.... - ocuparam meu espaço. São equipamentos para bicicleta, a recém-comprada tralha de montanhismo, as telas inacabadas, os materiais de pintura, centenas de livros (somados aos que eu já tinha trazido da casa antiga...).
Claro que a solução não é botar tudo fora. Essa ocupação misteriosa, que aconteceu quase que sem eu me dar conta, é o sinal de que finalmente os sonhos chegam a mim. Mas que, por outro lado, eu prciso organizar e desapegar. Eu sou louca por livros, mas tenho lido muito pouco. Hora de deixar irem, pelo menos, os livros que eu sei que não vou nunca ler...
Por enquanto, abro espaço por fora. Só estou tirando do caminho o que atrapalha meus passos e minha visão. Depois, o demônio organizador vai abraçar os pequenos espaços: gavetas, nichos, prateleiras. Os interiores do meu espaço - e de quebra, vou aproveitar para liberar um pouco de amplidão na minha alma.
5.11.09
25.8.09
Mimimi
Tá um tempo horrível, não conseguiram regular minha cadeira para parar de me dar dor nas costas, minha matéria é natiidosa, a comida do almoço tava ensebada e ruim, não tem café na mesa de café, eu estou há três dias sem andar de bike e portanto de mau humor, não consegui retomar a corrida e com uma lista de coisas para fazer.
Acaba logo, dia.
Acaba logo, dia.
3.8.09
Menina que pedala
Lendo os relatos da viagem do Caminho da Fé que o Felipe Argonez fez, e a da Evelyn, estou ficando mais pilhada ainda para fazer eu mesma. Quase morri pedalando a Mantiqueira no Carnaval; as condições eram mais ou menos as mesmas que eles descrevem. Mas o quase foi só um quase e eu consegui fazer praticamente todo o previsto na viagem, exceto ir para Monte Verde, culpa do mau planejamento da viagem e de uma estrada direta.
Será que com pedal a trabalho e corrida a lazer todo dia por mais uns meses eu aguento o trem? Talvez eu faça uma série de pesquisas e poste aqui no blog, como preparação para a viagem...
Será que com pedal a trabalho e corrida a lazer todo dia por mais uns meses eu aguento o trem? Talvez eu faça uma série de pesquisas e poste aqui no blog, como preparação para a viagem...
21.7.09
Dias úteis
Eu tenho vários durante a semana e às vezes de fim de semana também. Mas o que eu precisava mesmo era de um dia fútil... fazer as unhas, cortar o cabelo, experimentar meu guarda-roupa inteiro duas vezes...
Acho que eu voltaria a ser inteligente depois de gastar meu estoque de futilidade nessas coisas.
18.7.09
Sobre a beleza
O que é ser bonita? Vamos encarar os fatos: a noção de beleza é tão espetacularizada, artificial e restrita, que 99% do mundo se enquadra muito mal nela. E uma indústria move bilhões para que pessoas comuns corram atrás do prejuízo. Blogs e revistas de "dicas de beleza", no fundo, só fazem com que você se sinta mais feia e fora do padrão.
Dentro desses critérios, tenho bastante "sorte": sou branca, descentente de italianos, o que ajuda a me enquadrar em padrões étnicos europeus, cabelos ultra lisos, sem chapinha, olhos castanhos, com fundo bem claro. Mãos delicadas e pés pequenos, nem muito alta nem baixa. Já ouvi de várias pessoas que pareço a Fernanda Lima (eu acho que eu pareço comigo mesma, mas ok :-p). O que mais me desvia do padrão é o quadril super size e a estrutura de ossos largos muito bem recheada, motivo de piadas na infância e constrangimentos na vida adulta. Mas já é suficiente para eu questionar a falta de dignidade desse padrão de beleza, excludente e perverso. Tão pouco e eu já me sinto tão mal em várias situações...
Não entram nele as muito altas, muito magras, muito gordas, muito baixas. Não há espaço para a diversidade racial e peculiaridades que vem junto. Cabelos crespos? De jeito nenhum! Pêlos? Laser neles! Marcas do sol, do trabalho, do cansaço? A dermatologia apaga. É inaceitável que seu rosto e suas mãos mostrem detalhes tão íntimos da vida de uma pessoa, como olheiras e rugas. Ninguém é obrigado a conviver com essas mazelas do ser humano, literalmente jogadas na cara de alguém.
A indústria da moda faz sua parte: roupas com modelagens e comprimentos inviáveis para boa parte da população de um lado, e roupas sem bom caimento e jeitão de "saco de batatas" para os números maiores. Lojas e vendedores que só existem em função de um estereótipo. E um estilo de vida estressante e neurótico, em que relação com a comida vira um ponto central e delicado.
No fundo, tudo isso é casca. Os problemas de verdade estão em camadas mais inferiores. É claro que é importante bater o pé para que modelos com IMC de anoréxica não subam na passarela. Mas o que estamos procurando? A que viemos, afinal? Quais são os valores que fundamentam a nossa busca pela beleza? Será que não estamos tentando comprar felicidade ao sermos seduzidas pelo pacote das aparêncis? Por que nos recusamos com tanta força a mudar nossos valores de julgamento com os outros?
Uma das minhas fotos preferidas é essa:

Sem maquiagem, descabelada, com os olhos inchados de sono. Mas feliz, profundamente feliz. E acho que, por isso, bonita.
Dentro desses critérios, tenho bastante "sorte": sou branca, descentente de italianos, o que ajuda a me enquadrar em padrões étnicos europeus, cabelos ultra lisos, sem chapinha, olhos castanhos, com fundo bem claro. Mãos delicadas e pés pequenos, nem muito alta nem baixa. Já ouvi de várias pessoas que pareço a Fernanda Lima (eu acho que eu pareço comigo mesma, mas ok :-p). O que mais me desvia do padrão é o quadril super size e a estrutura de ossos largos muito bem recheada, motivo de piadas na infância e constrangimentos na vida adulta. Mas já é suficiente para eu questionar a falta de dignidade desse padrão de beleza, excludente e perverso. Tão pouco e eu já me sinto tão mal em várias situações...
Não entram nele as muito altas, muito magras, muito gordas, muito baixas. Não há espaço para a diversidade racial e peculiaridades que vem junto. Cabelos crespos? De jeito nenhum! Pêlos? Laser neles! Marcas do sol, do trabalho, do cansaço? A dermatologia apaga. É inaceitável que seu rosto e suas mãos mostrem detalhes tão íntimos da vida de uma pessoa, como olheiras e rugas. Ninguém é obrigado a conviver com essas mazelas do ser humano, literalmente jogadas na cara de alguém.
A indústria da moda faz sua parte: roupas com modelagens e comprimentos inviáveis para boa parte da população de um lado, e roupas sem bom caimento e jeitão de "saco de batatas" para os números maiores. Lojas e vendedores que só existem em função de um estereótipo. E um estilo de vida estressante e neurótico, em que relação com a comida vira um ponto central e delicado.
No fundo, tudo isso é casca. Os problemas de verdade estão em camadas mais inferiores. É claro que é importante bater o pé para que modelos com IMC de anoréxica não subam na passarela. Mas o que estamos procurando? A que viemos, afinal? Quais são os valores que fundamentam a nossa busca pela beleza? Será que não estamos tentando comprar felicidade ao sermos seduzidas pelo pacote das aparêncis? Por que nos recusamos com tanta força a mudar nossos valores de julgamento com os outros?
Uma das minhas fotos preferidas é essa:

Sem maquiagem, descabelada, com os olhos inchados de sono. Mas feliz, profundamente feliz. E acho que, por isso, bonita.
1.7.09
Eu quero
Todos os meus blogs estão com um dedo de poeira. Quase todos os meus amigos estão semi-abandonados, e a culpa é exclusivamente minha. Até minhas plantas ameaçam morrer no momento, em periclitante seca invernal. Veja esse post, por exemplo. Eu sei que só a Helena vai ler. Talvez o Fabio, se ele ainda não tiver desistido de mim completamente. Como eu ando trabalhando muito e dando menos importância às coisas realmente relevantes, vou fazer uma lista de coisas que eu mataria para fazer. Se você é um dos meus amigos abandonados, escolha um item, me escreva cobrando e em último caso, agende um seqüestro-relâmpago.
- ir comer picanha no saralho no Esquina Grill do Fuad
- pedalar até a puta que pariu falando bobagem, fazer um piquenique por lá e voltar pegando uma chuva desgraçada
- jogar jogos de tabuleiro nunca antes experimentados na Ludus
- cometer algum crime culinário internacional em cozinha alheia
- pegar um prosaico cineminha na Paulista e encher a cara de vinho e sanduíche de forno na Bella Paulista
- correr nos parques vagabundos de São Paulo, fingindo que a poluição nem incomoda
- bater perna em centrinhos comerciais baixo-deluxe como a Teodoro e o Bom Retiro
- fazer um safári fotográfico. Qualquer um. Ou simplesmente ir para qualquer lugar em que eu não esteja trabalhando com a Canon e as lentes a tiracolo.
- café, café, café. Em São Paulo tudo é pretexto para um
- ler com uma taça/ xícara na cabeceira, sem hora para nada. Para esse item, ninguém está convidado. Eu ando com saudades até de mim.
- ir comer picanha no saralho no Esquina Grill do Fuad
- pedalar até a puta que pariu falando bobagem, fazer um piquenique por lá e voltar pegando uma chuva desgraçada
- jogar jogos de tabuleiro nunca antes experimentados na Ludus
- cometer algum crime culinário internacional em cozinha alheia
- pegar um prosaico cineminha na Paulista e encher a cara de vinho e sanduíche de forno na Bella Paulista
- correr nos parques vagabundos de São Paulo, fingindo que a poluição nem incomoda
- bater perna em centrinhos comerciais baixo-deluxe como a Teodoro e o Bom Retiro
- fazer um safári fotográfico. Qualquer um. Ou simplesmente ir para qualquer lugar em que eu não esteja trabalhando com a Canon e as lentes a tiracolo.
- café, café, café. Em São Paulo tudo é pretexto para um
- ler com uma taça/ xícara na cabeceira, sem hora para nada. Para esse item, ninguém está convidado. Eu ando com saudades até de mim.
8.4.09
Só estamos fazendo nosso trabalho
Eu adoro aquele momento em que você termina uma reportagem e pode pensar em outra coisa. É a hora de fechar o bloquinho com anotações, as 15 abas abertas no Firefox, os olhos por um momento, e dar uma respirada funda. Aí, vou espiar a caixa de e-mail do meu trabalho.
Geralmente, tem uns 50 e-mails novos sobre assuntos que não são nem úteis nem interessantes. Umas pilha enorme de lixo virtual. Eu recebo release sobre acessórios para ordenha de cabra, curso de mercado de capitais e as últimas novidades em ovos de páscoa, uma loucura. Minha editoria é bem ampla, então está valendo. Dá um trabalho enorme fazer o filtro nas centenas de mensagens que chegam todo dia, e olha que eu nem sou importante. É uma canseira enorme, mas é meu trabalho ler. Deveria ser o trabalho de quem manda esses e-mails certificar-se de que o assunto interessa ao destinatário, mas eu sei que os assessores estão muito ocupados fazendo relatórios, planejamentos estratégicos e análises de clipping. Muitas vezes é culpa do chefe. Mas enfim, independente de estarem fazendo direito, é o trabalho deles divulgar eventos chatos, produtos feios e pouco funcionais e pautas inventadas, que nem existem direito.
Aí, o Comunique-se inventou uma ferramenta para facilitar o trabalho dos assessores: um disparador automático de releases. Só que nem sempre funciona direito, e às vezes chega mais de três vezes a mesma mensagem. Multiplique isso pela dúzia de empresas que usa a ferramenta e calcule quanto tempo e paciência eu desperdiço com isso. Eu sei que eles tem que fazer o trabalho deles, mas porque o trabalho deles por princípio tem que dificultar o meu?
Aí que, com essa avalanche, minha caixa de e-mails do trabalho está uma chatice, que eu olho com muito desgosto e senso de dever. As pautas gostosas estão vindo do mundo, da rua, de blogs, dos chats com amigos antenados, de rabichos de apurações que cresceram. E todos estão fazendo seu trabalho.
Geralmente, tem uns 50 e-mails novos sobre assuntos que não são nem úteis nem interessantes. Umas pilha enorme de lixo virtual. Eu recebo release sobre acessórios para ordenha de cabra, curso de mercado de capitais e as últimas novidades em ovos de páscoa, uma loucura. Minha editoria é bem ampla, então está valendo. Dá um trabalho enorme fazer o filtro nas centenas de mensagens que chegam todo dia, e olha que eu nem sou importante. É uma canseira enorme, mas é meu trabalho ler. Deveria ser o trabalho de quem manda esses e-mails certificar-se de que o assunto interessa ao destinatário, mas eu sei que os assessores estão muito ocupados fazendo relatórios, planejamentos estratégicos e análises de clipping. Muitas vezes é culpa do chefe. Mas enfim, independente de estarem fazendo direito, é o trabalho deles divulgar eventos chatos, produtos feios e pouco funcionais e pautas inventadas, que nem existem direito.
Aí, o Comunique-se inventou uma ferramenta para facilitar o trabalho dos assessores: um disparador automático de releases. Só que nem sempre funciona direito, e às vezes chega mais de três vezes a mesma mensagem. Multiplique isso pela dúzia de empresas que usa a ferramenta e calcule quanto tempo e paciência eu desperdiço com isso. Eu sei que eles tem que fazer o trabalho deles, mas porque o trabalho deles por princípio tem que dificultar o meu?
Aí que, com essa avalanche, minha caixa de e-mails do trabalho está uma chatice, que eu olho com muito desgosto e senso de dever. As pautas gostosas estão vindo do mundo, da rua, de blogs, dos chats com amigos antenados, de rabichos de apurações que cresceram. E todos estão fazendo seu trabalho.
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